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fev 06

As características da Opus Magnum (Texto 2)

Este é o segundo texto da série sobre Individuação e Alquimia. No primeiro, apresentei de forma resumida as raízes da Alquimia e fiz a relação desta com o processo de Individuação proposto por Jung. Se você não leu o texto, aqui está o link.

Agora, falaremos sobre as características da Opus Magnum – que é o trabalho dos alquimistas ao transformar, gradativamente, a matéria-prima em Pedra Filosofal – traçando um paralelo com a nossa jornada de autoconhecimento: como posso transformar aspectos inconscientes, que se encontram em estado bruto, em consciência mais ampla, em direção ao Self (que é o nosso ouro interior).

Primeira característica da Opus Magnun: Os alquimistas ressaltavam que para a realização da Grande Obra eram necessárias algumas virtudes no enfrentamento dos perigos que a vida apresentava. As virtudes que eles ressaltavam eram: coragem, paciência e perseverança. Fazendo uma ponte com o trabalho psicoterapêutico, podemos dizer o seguinte: geralmente, as pessoas chegam ao consultório com uma urgência muito grande, muito ansiosas. Entram em terapia com vontade de resolver situações pontuais, que geram angústia. E de fato, a terapia vai ajudar nessa organização interna, e a pessoa pode encontrar alguns caminhos mais imediatos. Porém, quando algumas pessoas se veem “fora do olho do furacão”, quando aquela ansiedade toda diminui, elas param a terapia. É nesse momento que é preciso ter coragem para enfrentar a sombra, e perseverança, porque esse é um trabalho milimétrico, onde a pessoa vai, lentamente, transformando-se de dentro para fora. O trabalho com foco na ampliação da consciência deve ser alimentado diariamente. Situações do dia-a-dia afastam e desencorajam as pessoas dessa busca – estresse, desconfiança no processo, pressa… É uma luta contra uma parte nossa que não quer crescer.

Segunda característica: a Opus Magnum é um trabalho sagrado. O processo psicoterapêutico deve ser orientado para o Self, pois não deve buscar apenas a cura dos sintomas, mas o equilíbrio do indivíduo em todos os aspectos. O sagrado é uma experiência numinosa que desvela o mundo do espírito, e isso é restaurador. Nesse sentido, a cura é consequência desse equilíbrio, dessa harmonia.

Terceira Característica: a Opus Magnum é um trabalho individual. Transferindo essa ideia para o contexto terapêutico, cada pessoa deve se responsabilizar pelo andamento de seu caminhar rumo ao autoconhecimento. Se a pessoa não tomar as rédeas do processo, não há crescimento.

Quarta característica: a Opus Magun é um trabalho secreto. Pois bem, a psicoterapia também assume essa característica na medida em que é um trabalho interno e não deve ser banalizado em conversas no dia-a-dia, pois é muito difícil o outro apreender o que é a totalidade das mudanças que acontecem internamente em alguém que está em processo psicoterapêutico.

Quinta característica: a Opus Magnum depende de um esforço consciente. Ou seja, alguém que busca o caminho do autoconhecimento deve envolver-se deliberadamente nesse processo. Buscar a individuação é ter consciência do seu desenvolvimento, assumir sua responsabilidade e não delega-la a ninguém.

No próximo texto falaremos sobre a fonte da matéria prima para a realização da Opus Magnum. Onde os alquimistas buscavam essa matéria-prima? E onde nós, hoje, buscamos a nossa matéria prima para realizar as transformações necessárias em nosso modo de ser?

Até o próximo post!

 

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